sábado, 27 de agosto de 2011

Carmen semeando poesia














Carmen via,
via poesia aqui,
via poesia acolá,
via poesia onde havia e onde não há.
Carmem plantava poesia,
e colhia,
e distribuía
e perfumava os ares com as suas
e as de tantos exalavam através de si,
através de mim, de ti.
Carmem ouvia,
ouvia o sussurro do silêncio pedindo ajuda
e o ajudava com os sons da ponta do seu lápis,
era uma cantiga tão bonita!
fazia tanto bem ouvir os sons que brotavam da sua alma
e era estampado em um pedaço de papel,
um simples papel,
que virava um tesouro dos mais valiosos
em suas valiosas mãos,
porta-voz do seu imenso sentir.
Carmen sabia,
sabia que tudo ficaria mais bonito,
a paisagem das palavras,
uma pintura,
daquelas que fazem barulho
e plantam girassóis por dentro,
obra de arte das mais belas,
afetava todos os sentidos
e tudo fazia mais sentido,
as palavras em dança.
Carmen abria,
destrancava as portinholas
para quem não via,
para quem não lia,
fazia nascer novos horizontes,
despertava,
aproximava a poesia
de quem dela se escondia
e surgia como uma luz.
Acendia.
Reluzia.

[Carmen ia, seguia... Semeando por aí...]





Para Carmen Silvia Presotto, com o meu mais sincero carinho e admiração. Obrigada por espalhar a poesia e deixar o mundo mais bonito e suave. Desejo-te muita felicidade, muita luz, saúde, paz, amor e que sempre semeie a tua poesia pelos ares. Feliz aniversário! Você faz parte do meu relicário!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Passarinho felicidade




Andou como se flutuasse.
Não, não, na verdade ela flutuava mesmo.
Já havia experimentado aquela sensação outras vezes,
sim, muitas, mas os tons de azuis eram sempre mais bonitos
e era sempre indescritivelmente leve. Tão leve!
Era uma vontade de olhar para cima de braços abertos
e depois girar e girar de olhos fechados
até levantar voo.
Na verdade ela voava de tanta leveza,
uma leveza chamada felicidade.
A sua felicidade era leve
e voava sem compromisso
pelos seus ares.
O seu revezamento de beleza, pouso,
sutileza e voo,
arrancava sorrisos da alma,
e pairava pelo ar como uma bailarina dos céus.
A felicidade dela também levantava voo,
mas sempre pousava,
sim, sempre pousava e repousava ali.


[Era uma felicidade passarinho, leve...]







Meus queridos, desculpem a ausência! Estive um pouco sumida porque aconteceram algumas coisas muito boas em minha vida - o passarinho felicidade pousou por aqui - uma delas é que fui convocada em um concurso público aqui do Estado, que fiz ano passado e estou em fase de adaptação, treinamento, essas coisas... mas agora que as coisas já estão tomando o seu rumo, tentarei postar com mais freqüência, até porque, como já disse, aqui é o meu refúgio e sinto muita falta. Obrigada a todos pelo carinho e pelas lindas mensagens deixadas no post de aniversário do Soltando Linhas. Saudades de vocês! Em breve visitarei a todos. Beijos

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Somente Linhas... Sementes minhas.



Hoje o Soltando Linhas completa o seu primeiro ano de vida e venho aqui agradecer a cada um dos meus seguidores, a cada uma das palavras ricas, carinhosas, fortes, cheias de encantos, verdade e emoção que vocês deixaram aqui. Palavras que me fazem sorrir, que me fazem chorar e me enriquecem. Este lugar é um dos meus refúgios. Escrever me traz felicidade, prazer, liberdade, salvação, cada dia sinto isso mais forte, é como se as palavras fossem nascendo e eu renascendo com elas. E os olhares atentos de vocês são presentes divinos. Obrigada a todos e a cada um!



Os nossos Poemas Enredados viraram um Weblivro e já são mais de 2500 leituras em duas semanas. Parabéns, Carmen pela brilhante iniciativa e parabéns a todos pelo belíssimo resultado! Pra mim é um grande prazer participar!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sem sentido?




Fechei os olhos
e escutei melhor a vida
e ouvi,
vi

Tapei os ouvidos
e senti o aroma que exalava
das entranhas da vida
e ouvi,
vi,
sorvi

Travei a boca
e ouvi os gritos da vida
e ouvi,
vi,
sorvi,
vivi

vi,
ouvi,
sorvi,
vivi,
pronuncei,
mas os arrepios eu não escondi
e foi aí que pequei(?)

Fui ouvida,
vista,
sorvida,
vivida.
Compreendida?
Aí eu não sei.

Quem conseguirá ver
o que há dentro de mim,
quem tem olhos de Ísis
ou quem sente assim?


[Veja o que eu falo. Ouça o que eu calo. Sinta o que eu.]





Selo que ganhei da Dielma. Aqui. Obrigada pelo carinho!

domingo, 3 de abril de 2011

Poemas EnRedados


Poemas EnRedados são poemas feitos por muitas mãos, poemas com várias almas, diversos olhares, onde a mágica da poesia faz o trabalho de trazer unidade, harmonia, fazendo com que vários versos soltos encontrem pares, pares tão ímpares e de mãos estendidas, que dizem sim e seguem juntos, unindo e encantando pelo caminho fascinante das palavras, da poesia libertadora, transformadora e solidária.

Os poemas e o resultado deste trabalho em conjunto podem ser conferidos todos os domingos no site Vidráguas, da grande poeta Carmen Silvia Presotto, idealizadora deste belíssimo projeto.

Abaixo alguns poemas enRedados para vocês sentirem como os versos se entrelaçam e que, no final, todas as linhas coloridas usadas ganham, incrivelmente, a mesma tonalidade. É a mágica da poesia, digo e repito.

Cliquem em cada imagem para serem direcionados à postagem original em Vidráguas!


Visitem Vidráguas e sintam estes e outros maravilhosos poemas!

Arte: Luana Neres

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fantasio



Vesti a minha melhor fantasia
E na avenida brinquei
Entre confetes e serpentinas
A tua boca beijei
As músicas eletrizantes
Soaram canções de amor
Eu era a Colombina
E você meu Pierrot
Melhor que o encontro de trios
Foi te encontrar na multidão
Entre blocos e pipoca
Encontrei seu coração
Entreguei meu coração
E os nossos corações
Batucavam mais forte
Que todas as percussões
Dava pra escutar, dava pra sentir
Foi assim, você chegou
E fez folia em mim
Foi um amor de carnaval
E teve um final feliz
Depois voltei para o real
Despi a minha melhor fantasia
E na avenida deixei
E a quarta não foi de cinzas

[Fantasiei, fantasiei...]






terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Apenas uma simples história de cinema




Sinopse:

Os dois não se entendiam, não combinavam. Ela gostava de MPB, ele era pagodeiro; ela gostava de poesia, ele de assistir vídeos gasta tempo no youtube; ela gostava de ler, ele de ver TV; ela gostava de fazer um Jam no MAM, ele de ir à praia de Piatã. As discordâncias não paravam... E quando iam ao cinema parecia uma novela, ele gostava de filmes de luta, de guerra, já tinha visto todos os Rambos, exterminadores do futuro e do passado, máquinas mortíferas de todas as espécies, os mais sanguinários possíveis, quanto mais tiro mais emocionante. Ela gostava de comédia romântica, ele nem sabia direito o que isso queria dizer, um dia perguntou a ela que graça tinha aquilo, era como se fosse um palhaço apaixonado, só que isso não tinha graça nenhuma e daí não deveria se chamar comédia prefiro não comentar.

O acordo:

Então revezavam, cada dia que fossem ao cinema juntos, seguiria o gosto de um. No dia dele, ela fechava a cara e na cena em que ele mais abria os olhos, ela cobria, o beijava para fugir daquela carnificina em película e ele a beijava de olhos abertos para não perder um tiro que vinha em câmera lenta. Aquilo a irritava e ela virava a cara, ficava possessa da vida e pensava: “Trocada por um tiro”. Aquilo era uma ofensa gravíssima. E pensava um pouco mais: “Deixa ele, amanhã vou ao show dos Los Hermanos no TCA e se alguém vier me beijar eu vou fechar os olhos e abrir os braços” só pensava, e ficava retada até com os seus pensamentos, dizia que parecia aqueles filmes de tiro que o seu namorado assistia, onde todos atiravam no mocinho, balas de todos os lados e nenhuma o atingia. Surreal.

O acordo II:

No dia dela, ele já saía de casa todo armado e inchado feito um sapo, e na cena mais bonita, quando os dois finalmente se encontram, a mocinha e o ator principal, e a música aumenta, ele torce o bico e ela beija ele reparei uma coisa agora, ela também não fecha os olhos, não quer perder a cena, uma vingança involuntária. Aquilo o deixava irritado, possesso da vida, ele se sentia como aquele homem apaixonado do filme que não tinha nenhuma chance porque os olhos da mocinha só enxergam o ator principal.

O desacordo:

Certo dia quando foram ao cinema, estava em cartaz os dois filmes que os dois estavam esperando ansiosos a estreia. Era a vez dela. Ele tentou, tentou e tentou negociar, de pular a vez dela, ela estava irredutível, não aceitou de jeito nenhum, afinal, na outra ocasião em que isso aconteceu, ela já havia cedido, não seria justo, mas acontece que ele também não aceitou ir à sala dela.

A separação:

Cada um foi para a sua sala, assistir ao seu filme, o coração não entrou com eles, o dela ficou lá, o dele ficou cá... Na hora do tiro em câmera lenta, ele sentiu falta do beijo dela, fazia parte do filme aquela cena desesperadora. Na hora do encontro da mocinha e do ator principal, como ele dizia vou contar o porquê disso de uma vez, é que um dia, ele falou potragonista e ela riu muito da cara dele, nunca mais na vida ele falou ela sentiu falta do seu beijo de pirraça.

Voltando ao início:

E os dois fecharam os olhos e beijaram-se em pensamento e antes que os filmes acabassem, os dois saíram de suas respectivas salas o filme tinha perdido o gosto, a câmera lenta do filme ficou com um efeito especial fajuto e o beijo foi meia boca foram levados por um amor de cinema, em câmera lenta feito o tiro do filme dele e pulsando de amor como a cena do filme dela.

Aquele final já era previsto, mas foi bonito mesmo assim.


[Na volta para casa ele ouvia “rebolation” no carro e ela ria pra ele, cheia de amor no olhar. Estava com o fone nos ouvidos e escutava Caetano.]


Desculpem! Esta história não tem um fim.



O que importa se você é não
E eu sim,
Se sempre me dizes sim,
Se nunca te digo não?
O que importa se eu não gosto do seu gosto,
Se sem ti tudo é desgosto?
O que importa se sou sol
E você só sabe chover?
Se sem ti o sol não sai
E a chuva que não cai
Molha muito, muito mais



[Saudades de vocês, queridos! Desculpem a ausência, os dias ficaram mais curtos pra mim, mas aqui me sinto bem e sempre vou estar. Estarei no cantinho de vocês, fico bem por lá também. Beijos afetuosos]

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